sexta-feira, 15 de março de 2013

Poesia escolhida

Para sempre


Porque Deus permite
Que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
É tempo sem hora,
Luz que não se apaga
Quando sopra o vento
E chuva desaba,
Veludo escondido
Na pele enrugada
Água pura, ar puro,
Puro pensamento.

Morrer acontece
Com o que é breve e passa
Sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
É eterna.
Porque Deus se lembra
-Mistério profundo
De tirá-la um dia?
Fosse eu rei do mundo
Baixava uma lei
Mãe não morre nunca,
Mãe ficará para sempre
Junto de seu filho
E ele, embora velho
Será pequenino
Feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
Contribuição de Rafael, 1602

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